sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Somos

Orvalho da manhã. Cheiro de terra molhada.
Livros de poesia espalhados.
Imagem colorida na retina. Toque aveludado nos dedos.
Pés descalços na relva. Crepúsculo dourado.
Massa de pão crescente. Beijo na boca da gente.
Éramos dois.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Hoje é hoje, amanhã será...

Amanhã será.
Ser há, de ser e haverá!

Inspiração...

Pronto, não mais tenho dúvidas
Inspiração advém de sentimentos.
O oco não produz, não galga, inutilmente se cala
A vida ensinou-me a viver o momento
Pois palavras soltas ferem feito bala.
Atravessam liames instransponíveis
E vão corroendo feito vermes
Só fazem perpetuar sentimentos intransferíveis
E impedem o roçar mágico de nossas epidermes.

Não nego,
Carrego na alma cicatrizes
Feito o artista e suas diferentes matizes
Encontro em minhas marcas o exato tom
Sempre sabendo que ninguém me tira o dom.

Sei que seu olhar me prende e arrebata
Mas traz a consciência clara de que tudo pode ter fim
Carrega consigo, o seu olhar, a flexa que mata
e diz com todas as palavras, aquela exata:
Pobre de mim!!!

Tudo muito simples...


Não sou rosa pra me considerar "terrível com meus espinhos", mas sou mulher suficiente pra exigir que respeitem meus sentimentos.
Não sou cristal pra dizer que "uma vez quebrada não tenho mais conserto", mas sou humana o bastante pra saber que ser for ferida não existe atadura nem medicamento que resolva.
Não sou palavra "que proferida não tem volta", mas sou consciência que recebe as palavras tortas e as vomita.
Não sou farinha "que uma vez espalhada não tem como ser reunida", mas tenho caráter pra lidar com essa parafernália toda de certo e errado.
Tenho valores inigualáveis e inatingíveis, não vou perdê-los pelo simples fato de saber que alguém nunca os teve e agiu de modo diferente do meu.
Quero sim, ser cada vez melhor e lapidada, mas também não abro mão do meu direito de experimentar de um modo especial o meu jeitinho de amar. Sei amar como ninguém, amar de corpo e alma, amar pelo simples fato de amar, assim como sei rejeitar o que não me é benéfico. Sei por pedras em cima de sentimentos mesquinhos, sentimentos refletidos em minha pessoa e que querem dizer por mim.
Meus gestos falam por sí! Se alguém não conseguir interpretá-los devidamente, nada posso fazer a não ser dizer intimamente:
- QUE PENA! MINHA INTENÇÃO REALMENTE NÃO FOI ESSA.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Amor Polvo "em construção"...

À primeira vista parece tudo tão simples. Mas o processo todo não é fácil de colocar em palavras, pois complico tudo quando tenho que poetisar sensações.
Vou tentando, quem sabe chego lá e, se chegar fatalmente te levo ao topo do mundo tendo por companhia minha agitada pessoinha.
Por acaso alguém já teve um amor polvo? Hummmm.... Tcharam! Tem neguinho querendo visualizar uma maket da minha obra...
Vou desenvolver o projeto com paciência e deliberações várias.
Primeiro, imagine um entorno fantástico, constituído por um oásis de pedras translúcidas, arbustos encorpados, magníficas bromélias, flôres perfumadas e grama orvalhada... Diliçaaaaa....
Panos de vidro foscos, daqueles que não permitem visualização externa e sequer interna. Ou seja, o mundo lá fore morre, fica esquecido nos corações que residem no centro da obra (mas sabe-se da existência do jardim lá fora).
E, o amor polvo se faz...
Confunde-se braços com braços, não se sabe qual é de quem!!
Pernas no mesmo processo! Qual é a minha perna? Toquei essa mas a sinto, toquei aquela e também sinto... Hummmmm.... Essa pele está muitoooo macia, definitivamente não é a minha... hahahahaha
(continuo, continuo....)

A DOR QUE DÓI MAIS (Martha Medeiros)

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

É um nó que dá dó

Vai começar o leilão: Qual o maior lance por minha vida?
Presumo que tudo vira bosta, pois conheço as pedras do caminho e sei que tudo vai acabar em bolhas. Internamente estou novamente aos prantos e sei que tenho todo o direito do mundo de meter o osso do peito nas paredes da vida, levando junto a cabeça que já não é lá essas coisas. Quanto posso aguentar? Quanto um coração suporta de sofrimento? Posso morrer de desilusão?
Eu sei bem o que é perder. Sei sim!!
Seja dito, não há quem não saiba...
Sonhar é tão trabalhoso... Imagine o que significa depositar seus sonhos em algo e imaginar um mundinho de felicidades sem fim. Insta dizer que meus sonhos sãos lotados de paixão e sensualidade, aquele lance de olhos nos olhos e compreensão infinita. Hahahahaha
Imaginem a cena: Passear com seu grande amor, o amor de sua vida para sempre e esse amor vai ser pra sempre lindo, charmoso, generoso e outros osos da vida... ai, ai...
É claro que sim, ele vai te conduzir ao nirvana, a risada dele nos seus momentos de exaustão do amor vai soar como hino de um coro de anjos celestiais. E, quando o tempo se preparar para a chuva e você pensar que virá tempestade das brabas o seu amor - lindo, inteligente, sintonizado, espiritualizado - vai dizer com sua voz mansa e em tom levemente brando: Chuva calma ó pai!
E ela virá...
Sabem o que é isso meu amigos? É o amor entupindo as veias de fé e imortalidade. Eu de boa acreditando que já nos conhecemos de outra vida e que vamos nos amar para toda a vida (ui, que pretensão para os céticos). Uma eternidade sem fim. Já sei, tive a idéia agora: Não, não há morte. Ficaremos para sempre juntos. E sem fim...
Hahahahaha... Ótimo, essa idéia acabou de sossegar meu coração...
Só quero ver quando ele acordar, levantar, tomar café e ler meu texto, vai ser divertido e preocupante.
Outro detalhe que não posso esquecer de dizer: Não há paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor. Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dele. Não existem outras coisas interessantes. Nem sons que se equiparem do que a risadinha na hora do "estado de graça" (ui). Tinhamu. Eu tumém tinhamu. Tinhamu más. Du-vi-do... Ganhei agora, pois tinhamu mais do que a mim.
Como dizia a música "eu conheço cada passo desse chão" e, mesmo sabendo disso, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo na estrada tão bem conhecida.
E mais uma vez saberei amar. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida, que desta vez o amor é bem direcionado, etecetera e tal...
Como disse Fernanda Young: "Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tudo está mudando em minha vida, tomando novos rumos, outras perspectivas. Mas, não pensem que tenho tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e internamente continuar a mesma. Penso que até podar os defeitos pode ser perigoso, pois nunca sabemos qual defeito é o pilar mestre de nossa construção inteira.
Décadas de solidão provocaram uma transformação considerável em minha pessoa. No momento que me resignei, perdí toda a vivacidade e interesse pelas coisas. Imagine uma Loba sem voz.

Minha amiga íntima, Clarice Lispector termina (arre, mulher porreta!!)
"Assim fiquei eu!
Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver.
Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento.

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
Clarice Lispector.

domingo, 22 de novembro de 2009

Meu pão-de-ló!!

Macio
saboroso
degustável
suave ao toque.
Doce...
Olhar tão doce tem o pão-de-ló
que se torna recheio em passe de mágica.
Dá vontade de passar no pão...

Auuuuu - Tinhamu....

Vês meu sorriso?
Ele está suspenso,
antevendo o momento de se dar pra você.
E quando ele se entregar a tí, vai com boca e tudo o mais.
Deixo pra tí o deleite espontâneo e roubo de tí os sonhos que busco...
Auuuuuuuuuu

Marques

Onde marcas senhor Marques?
Eu sei, juro que sei, sinto e não tem jeito.
Marcas aquí, bem no fundo do meu peito.
Deixastes e fazes marcas, bem as conheço.
Reconheço!
Saibas que marcas com delicadeza e profundidade.
Indolores, lindas e alegres obras de arte...
Me marque e mate.
Venha senhor Marques,
marque no plexo solar, bem próximo ao coração,
sou sua matéria prima, à inteira disposição.
Mesmo marcada, sigo a te beijar com veneração.


Sua loba que te ama de modo manso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Calos nas orelhas.

Orelha dolorida, ardente gostosamente
Ainda ecoa na cabeça o tom exato de sua voz
Mente débil, abraçada por um Morpheu insistente, condena o raciocínio.
Visualizo seu coração de boca aberta e, boquiaberta tomo sua luz infinita.
Sorvo gulosamente palavras, pausas, risadas, contos...
Ao final constato:
Não se solte de minha pessoinha.

Estava escrito...


Uma linha, tênue, nos une e nos mantém atados
Por gentileza, não ouse, em pensamento sequer, perguntar-me o porquê
Pois não saberia a resposta e, lhe devolveria a pergunta embrulhada em lindo papel de presente
Desavergonhadamente e senhora de sí, a dona linha me enche de questionamentos que não tenho pretensão de saber respostas
Ela se esconde, reaparece do nada e quando ressurge me arrebata
Já me trouxe abraços, melodias, alegrias, flôres, sorrisos, sentido de vida e, acima de tudo coerência e discernimento.
Mas, não me traz respostas.
Minhas reverências senhora linha, permaneça e fortaleça-se em nossas vidas!!

Loba Seforé

domingo, 8 de novembro de 2009

Aspas, parênteses, colchetes...


Por você sinto uma febre intensa e, a nível mental um frenesí sem fim.
Quanto ao corpo mundano, o prazer é múltiplo e me percorre de forma suave, mas toma conta de cada célula.
Eu não sei parar de te olhar... Não sei parar.
Não sei parar de sentir. Eu não sei parar de PULSAR...
E o pensamento todo lá em você, suavemente frenético.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sem chororô, per favore!!

Gosto que me enrosco de botar a boca no trombone, mas nos últimos tempos tenho me contentando com a harpa lírica que teima enroscar-se em meus braços.
Isso me queima os cornos. Sei que tudo está errado, e que eu precisaria no mínimo de uma bateria e baquetas raivosas à disposição.
Como não as tenho, tento explicar que minha vontade maior era fazer muitoooo barulho tentando descarregar toda a tensão emocional que me apoquenta. Se dá pé no celular é por lá mesmo que berro nas orelhas do idiota que atender!!!
Vou seguindo, um pé na frente do outro com muito cuidado pra não enroscar um no outro, quebrar os dentes, a boca e não poder ao menos berrar se necessário for...
Mas, saiba de uma coisa em definitivo:
QUEM DÁ PEDRADA MERECE TIJOLADA.
Estou pesquisando algumas olarias à venda!!!

Auuuuuuuuuuuuuuuuuu

Sucessoooo!!


Hoje eu tinha que tentar escrever algo...
Segundona batendo nas zureias, 23 de outubro de 2009!!
Fiote chega para o almoço sem o uniforme do colégio... Espantada, perguntei o porquê e ele calmamente (do jeitão de sempre) foi explicando pra mamãe xereta:
- Fomos fazer o nosso show, já combinado no Colégio (particular), hoje era o dia das incrições, blá, blá...
De pronto rebatí:
- Mas, filho. Perder aulas no seu colégio para ir em outro tocar? Isso está certo?
- Há mãe, eu reponho, fica fria...
Mãe, tranquilizada pela "responsa" toda do gurí pergunta então como foi o tão esperado show.
- Putz mãe. Foi dez, nós nem cobramos, mas a dona do colégio nos deu um cheque de R$-100,00 (aproximadamente 1/4 do S.M.) e vamos fazer um banner da banda e disse que a gente toca muitooooo bem.

Babei né???
E, ele continuou:
- O legal mãe, foi dar autógrafos. O gurizinho me pediu um autógrafo e ele tinha quase o mesmo nome que eu!!!!

Morram de inveja pobres mortais!!!
Eu deixo.... E não venham no futuro querer saber da mãe do astro!!!

Auuuuuuuuuuuu

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Grãos de ouro...


Ganhei umas romãs lindinhas do pai do meu amigo.
Sempre fui fã dos grãozinhos... Aquele emaranhado me intriga!! Natureba demás, sem dúvidas e, olhando com calma, até creio em força superior arquitetando o planeta todim.
Nos dedos aliso a superfície da frutinha e me pergunto: Será que é bom mesmo pra dor de garganta que atormenta meu pimpolho???
Outro detalhe que não me passa desapercebido: O que é aquela cor? Continuo procurando a lingerie do tom, a camisa já comprei, usei e não fiz sucesso... hahaha


Voltando ao assunto da hora: Quanto mais conheço o ser humano, mais amo os animais.
As fotos dos últimos tempos não me deixam mentir...
Amostra grátis em anexo meus amigos!!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Passarela imaginária!!


Eu tive um sonho. Alcei vôos fantásticos. Toquei as estrelas com as mãos, repousei os pés em planetas, deitei na lua em sua penumbra e engolí o sol por diversas vezes enquanto permanecí nos braços do sonho.
Ele estendeu à minha frente um tapete glorioso. Pior, ensinou-me a caminhar sobre ele. Maravilha das maravilhas!! Fui transportada à um mundo mágico, em que me foi permitido acreditar que tudo é possível. Saí da realidade e me afoguei no sonho. Viví cada segundo, cada sensação, cada emoção. Olhava e não acreditava que era possível ter acontecido, mas o mais interessante é que achava que tudo não teria fim. Aceitei a dádiva todinha e permití a embriaguês...
Um dia, finalmente o sonho puxou o tapete que estendeu com maestria. Estatalei, tento fazer na ferida que se recusa a fechar uma linda tatuagem, continuo negando-me a acordar!!

(vou lapidar o texto, por enquanto não consigo continuar)

Travesseiros Imaginários

Karambolas... Lí o texto e fiquei suspensa no ar!!!! Quisera ter o poder de escrever assim...

Todo dia eu faço uma aposta. As pessoas nadam em suas próprias mentiras. Passam por cima do sol para angariar o que lhes é aprazível. E seguem insones. As cabeças cansadas já não cabem mais nos travesseiros de costume. As palpebras pesam à medida dos anos. As pessoas seguem pisando em seus chãos, em seus céus, em seus sóis e em si mesmas. E se martirizam a cada segredo guardado na estante sustentada em madeira e remorso. As pessoas passam a vida tentando ficar impunes enquanto eu almejo apenas ficar imune a todas elas. E quando já não há mais espaço entre madeira e remorso, as pessoas tentam outros travesseiros que abracem generosamente suas cabeças cheias de culpa. E se aproximam umas das outras em busca de perdão, em busca de algo que as leve à redenção. E seguem cegas e insones. À procura de seus travesseiros imaginários. E adoecem envenenadas por seus próprios segredos. Todo dia eu faço uma aposta. Enquanto as pessoas morrem afogadas na piscina de mentiras que cultivam em seus quintais. As cabeças são grandes demais para as fôrmas dos travesseiros vendidos nas lojas. E pesam. Pesam a medida dos anos. E quando estendo a mão a alguém é quase sempre um lapso. Cada aceno em direção ao outro é risco de queda livre. E sempre aceno. E sempre despenco. Mas meu consolo é minha estante. Sustentada em madeira e fé. E meu travesseiro tem a medida de minha cabeça: leve. E ainda assim, todo dia eu faço uma aposta. E todo dia eu perco.

Maíra Viana

terça-feira, 28 de julho de 2009

Arf, arf...

Respirar dói. E como!
Queria desvendar o insondável, modificando essa sensação que carrego. Não tenho ombros pra tanto, sequer forças, mas tenho que respirar. E dói...
Assim vou seguindo e tentando enveredar por novos caminhos.

Uma mente inquieta...


(repetindo postagem procurada)...
Muitas vezes me perguntei se optaria por ter tido ou não essa doença, caso pudesse escolher. Se eu não dispusesse de ajuda, ou se os remédios não funcionassem no meu caso, a resposta seria um simples “não” – e seria uma resposta impregnada de horror. No entanto, os remédios funcionaram no meu caso; e, por isso, suponho que possa me permitir essa pergunta. Por estranho que pareça, creio que optaria por ter a doença. É complicado. A depressão é apavorante demais e não cabe em palavras, sons ou imagens. Eu não gostaria de voltar a passar por uma depressão prolongada. Ela exaure os relacionamentos através da suspeita, da falta de confiança e de amor-próprio, da incapacidade de aproveitar a vida, de caminhar, conversar ou raciocinar normalmente, da exaustão, dos terrores noturnos, dos terrores diurnos. Não há nada de bom que se possa dizer da depressão, a não ser que ela nos dá a experiência de como deve ser a velhice, ser velho e doente, estar à morte; ter a mente lerda, não ter elegância, educação ou coordenação; ser feio; não acreditar nas possibilidades da vida, nos prazeres do sexo, na perfeição da música ou na capacidade de provocar o riso em nós mesmos e nos outros.
As outras pessoas insinuam que sabem como é estar deprimido porque passaram por um divórcio, perderam um parente, um amigo ou emprego, ou romperam relações com alguém. A verdade é que essas experiências trazem consigo sentimentos. Já a depressão é neutra, oca e insuportável. Ela é também cansativa. Ninguém agüenta ficar ao lado de quem está deprimido. As pessoas podem achar que deviam ficar, e podem até tentar, mas você sabe e elas sabem que você está incrivelmente chato: irritável, paranóico, sem senso de humor, sem energia, cheio de críticas e exigências, e nenhum tipo de esforço para reanimá-lo jamais é suficiente. Você está assustado e está assustador. Você “não está nem um pouco parecido consigo mesmo, mas logo vai estar”, só que você sabe que não vai.
E então por que eu iria querer ter alguma coisa a ver com essa doença? Porque acredito sinceramente que, em conseqüência dela, senti mais coisas e com maior profundidade; tive mais experiências (e mais intensas); amei mais e fui mais amada; ri mais vezes por ter chorado mais vezes; apreciei mais as primaveras apesar de todos os invernos; vesti a morte “bem junto ao corpo como calças jeans” e aprendi a apreciá-la; vi o que há de melhor e mais terrível nas pessoas e aos poucos aprendi os valores do afeto, da lealdade e de ir até o fim. Conheci os limites da minha mente e do meu coração, e percebi como os dois são frágeis e como, em última análise, são incognoscíveis. Em depressão, engatinhei para poder atravessar um quarto e fiz isso meses a fio. No entanto, normal ou maníaca, corri mais, pensei mais rápido e amei mais do que a maioria das pessoas que conheço. E creio que boa parte disso está relacionado à minha doença – à intensidade que ela confere às coisas e à perspectiva que ela me impõe. Creio que ela me fez testar os limites da minha mente (que, embora deficiente, está firme) bem como os limites da minha criação, família, formação e dos meus amigos.
As incontáveis hipomanias, e a própria mania, todas trouxeram para minha vida um nível diferente de sensação, sentimentos e pensamentos. Mesmo quando mais psicótica – delirante, alucinada, frenética – estive consciente da descoberta de novos recantos na minha mente e no meu coração. Alguns desses recantos eram incríveis, lindos; tiraram meu fôlego e fizeram com que eu sentisse que poderia morrer ali mesmo que as imagens me sustentariam. Alguns deles eram feios, grotescos. Não quis nunca saber que eles existiam, nem vê-los de novo. Sempre, porém, havia aqueles novos recantos; e – quando me sinto normal, devendo essa minha identidade à medicina e ao amor – não posso imaginar que me torne indiferente à vida, porque sei desses recantos sem limites, com seus panoramas sem limites.

Auuuuuuuuuuuuuuuu

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Atarantada...

Abrí a porta e corrí ao banheiro, enquanto isso meu príncipezinhozão assistia TV esparramado desengonçadamente no colchão da sala, sequer falei olá ou prestei atenção em algum som ou baderna ao redor, só pensava em aliviar o cinturão, depois o jeans justésimo, rebolar até o chão (jeans sempre pegando nas pernas) e finalmente abaixar a calcinha. Quase esqueço de sentar-me no vaso sanitário, é verdade, mas deu tempo!
Depois de todo esse ato (quase-falho) conseguí dizer:
- Oi filho, o que foi que você disse?
Pronto. Era a deixa que o gurí esperava.
Papo realizado, continuei a operação desmanche do calambeque aquí. Com esse frio, tudo complica, os acessórios são infinitos, em maior profusão e grande dificuldade na retirada: pulseiras, anéis, brincos, cachecol, gorro, botas, meias, segunda pele e o pior de tudo, a bendita da famigerada funilaria, que não sou mais idiota de sair de cara limpa, pálida, manchada e enrugada né? Acho que sou perita em tal quesito, engano bem...
O terrível é limpar a baderna da cara depois, porisso digo que ainda largo do pecado da vaidade, assim fica mais fácil meu passe para o céu. Tá prometido, isso se eu não mudar da idéia atual de que nunca, nunca mais me ligo em alguém.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

By Medusa Moranguinho Infernal

Que coisa mais linda, mais preciosa... você devia dividir toda essa beleza dionisíaca, perturbadora, um pouco triste, nostálgica, pungente e, principalmente, viva, com o mundo, mesmo sabendo que a maior parte das pessoas ainda preferiria comprar muambas em Miami a saborear verdadeiramente, com gosto, as palavras, como se saboreia um doce feito pela avó, com sabor de saudade, de nuvem, de alegria que a gente sabe que nunca dura pra sempre e sai, esfomeado, de novo, perambulando pela casa, procurando um restinho nos potes, nos armários, na geladeira...
Assim também é amar: a gente sai procurando nas prateleiras da vida alguma coisa com gosto do que já foi e a gente nem sabe mais o que é, mas quer, deseja, sempre com fome, com gula, mesmo sabendo que pode dar dor de barriga lá na frente. E como a gente nunca deu ouvidos à avó, à mãe, assim também é o coração apaixonado. Ele não ouve ninguém, nada além de suas batidas descompassadas, de felicidade ou angústia extrema.
Falei de tudo isso, divaguei, perdi o raciocínio pra encontrar depois, só pra dizer que o amor, esse com gosto da infância perdida, existe. Mas não se encontra em qualquer mercadinho de esquina, nem nos hipermercados, nos shoppings. A gente tromba com ele pela rua. Como lata, às vezes a gente chuta. Como moeda, às vezes a gente pega, enfia no bolso, acaba perdendo ou passa adiante.
Na verdade, a gente devia sempre tratá-lo como pedrinha brilhante, talismã, que a gente recolhe, não perde, acha que dá sorte (e dá!), faz dela um tesouro.

Falei de tudo isso, meu amigo, pra dizer que a felicidade romântica é leve, e inacreditavelmente é possível. Basta querer.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Enquanto isso...

Estou me preparando para realizar maiores obras por detrás do cenário.
No momento, tudo leva a crer que o camarim não será guarnecido de glórias visíveis. Não sei se mudo de idéia, mas tudo é possível em se tratando de minha pessoa.
Por favor, sem muita luz, flôres caras, espelhos, tumulto, som alto e tietagem. Imprescindível bons aromas, excelentes fluidos, paz, franqueza, limpeza, organização, positivismo, fé e...
Já sei, quer saber o que eu quero dizer com as reticências. Nada! Só quero que você complete. Não fique no camarote, por favor. Você é bem vindo ao meu lado, pois quando as cortinas do cenário se abrirem você será o(a) responsável pelo espetáculo.
Te dou os créditos sem egoísmo algum!!!

domingo, 12 de julho de 2009

Mude

Mas comece devagar,
comece na sua velocidade.

Sente-se diferente, em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, ande pelo outro lado da rua,
depois mude de caminho,
ande por outras ruas, mais devagar,
observando os lugares por onde passa.
Tome outros ônibus, se for o caso.
Mude por uns tempos o estilo das roupas,
dê os seus sapatos velhos,
procure andar descalço por uns dias.
Tire uma tarde livre
para passear no parque ou na praia.
Saia sozinho para ouvir o canto dos pássaros.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, de ponta-cabeça.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
viva outros romances.
Troque de carro.
Não faça do hábito um estilo de vida.
- Ame a novidade.
Corrija a postura, faça ginástica, durma mais tarde, ou acorde mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Escolha novas comidas, temperos, cores,
diferentes delícias.
Experimente a gostosura da pouca quantidade.

- Tente o novo todo dia.
O novo lado,
o novo método,
o novo jeito,
o novo sabor,
o novo prazer,
o novo amor.
- A nova vida.
Faça novos amigos, mantenha novas relações,
almoce em outros lugares,
vá a outros restaurantes,
tome outros tipos de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde - ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabão, novos cremes.
Tome banho em horários variáveis.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
(Comece agora uma viagem para bem longe do aqui.)
Faça amor de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
compre novos óculos,
escreva outras poesias, jogue fora o despertador.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, novos cabeleireiros,
outros teatros.
Visite novos museus.

- Mude.
Você conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, o dinamismo,
a energia.
Dessa forma, apenas dessa forma - você viverá.
- Só o que está morto não muda!
(Autor desconhecido)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Caraminholas...



Prá que será que serve capacho?
Oras bolas, pra ser pisado, limpar os pés, embelezar talvez (ou enfeiar "pra caramba"). Mas serve...
Tem dia que me sinto assim, não propriamente capacho de alguém, talvez capacho de mim mesma. Encontro-me presa nessa gaiola do corpo e, é difícil aceitar que ele tem lá suas limitações. Eu sei que tem!!!
Engraçado que a maioria não vê, muito ao contrário...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Não me provoque, tenho armas escondidas...
Não me manipule, nasci para ser livre...
Não me engane, posso não resistir...
Não grite, tenho o péssimo hábito de revidar...
Não me magoe, meu coração já tem muitas mágoas...
Não me deixe ir, posso nunca mais voltar...
Não me deixe só, tenho medo da escuridão...
Não me tente contrariar, tenho palavras que machucam...
Não me decepcione, nem sempre consigo perdoar...
Não espere me perder para sentir minha falta!
(by Clarice Lispector)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Loba versus mitomania!!

O que é mitomania?
Mania por mitos? Nãozinho...
Mito, origem grega, mentira.
Mania de mentir. Mitômano é quem mente muito e sem razão aparente. Explicado?
Tudo esclarecido toca o bonde, senta na janela e curte a paisagem. Mas, torça para não sentar-se ao lado de um(a) mitômano(a).
Sua vida pode virar de pernas para o ar literalmente. Quando você menos perceber não mais estará sentada no banco do bonde e na janela!!! Seu lugar será tomado por aquele... Hehehehe...
Tarde demais para perceber os engodos em que se meteu, não tem retorno, viagem sem volta e futuro obscuro o aguardam. Os cupins que detonam almas estarão instalados dentro de tí feito vírus em PC... Coitadinho de você!!! Tenho dó...

Lembrei exatamente agora que refletí hoje sobre um poema da Clarice Lispector (sic, na verdade, Renato Dieckson, veja observação no final do texto):
"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, dos cafés mais amargos, das idéias mais loucas, dos pensamentos mais complexos, das vitórias mais difíceis, das festas mais animadas, das paixões inesperadas, dos sentimentos mais fortes... Tenho um apetite voraz pela vida, um coração bobo e delírios mais loucos. E você pode até me empurrar de um penhasco...que eu vou dizer: E daí? eu adoro voar!"

Pensei na bendita poetisa com o maior carinho e até cogitei a hipótese dela ter vivido experiências similares às minhas, e ter tido também a coragem de colocar no papel o inverso do que sente e pensa.
Dizem que as palavras são como boêmios, à noite elas fluem com mais facilidade. Tendo em vista tais fatos, deixo este texto inacabado. Não tenho nenhum desfecho magnífico para ele.
Entretanto, como gosto de sempre ter a última palavra, vou colar-me à minha amiga íntima Srª Lispector:
Empurra-me de um penhasco!!! Eu adoro voar...

Auuuuuuuuuuuuu (meu filhote já está ensaiando o uivo).
PS.: Orkut também é cultura, acabei de descobrir que o texto é de autoria de Renato Dieckson. Sorry...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Labuta espinhosa...

Ele acabou de sair, eu fiquei pensando como será que ele me suporta e suportará?
Posso estar enganada, mas tenho tudo pra ser a prova de fogo profissional do pobre coitado. Se ele me consertar, será capaz de obter o "Toque de Midas", tudo que tocar será transformado em ouro, e olhe que ouro de primeira qualidade, 750 né??
Sou fácil não (reconheço sem pudor) e, saibam que tenho lição de casa!!
The best!! The chic!!! Very good...
O que é perfeccionismo?
Olho para a baderna instaurada na salinha que vos digito e não encontro traço algum de perfeição. Então, desvio o olhar...
Pronto: phudeuuuuuu.... Fui desviar o olhar justamente prá dentro da Loba. Ai, ai, ai... Isso tem tudo pra virar merda.
Mas, se eu fosse perfeccionista aquí dentro estaria limpo barbaridade, tudo em seu devido lugar. Tsú, tsú... Por onde começo primeiro?
Teias de aranha de montão, ai que medo de encontrar uma caranguejeira!! Gavetas emperradas que não abrem de forma alguma e que, conforme aprendí em Dicas, basta passar sabão que elas abrem. Onde tem sabão?? Pula essa parte das gavetas e passa por debaixo das teias (torcendo pra não topar com nenhuma aranha). Vamos aos fantasmas que estão prestes a levantar-se... Ui, ui... Pula de novo esse pequeno detalhe!!
Está bem, vamos pensar no meu perfeccionismo relacionado ao próximo (não tão próximo). Oras, se não são "próximo" não estão perto de mim, se não estão perto é porque não me importam.
Eurekaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!
Eu não me importo com o próximo... Eles que se phodam literalmente. Pobres coitados...
Será???
Mas como???
Pensando, pensando....
Lembrei até daquela frase boba:
Se o mar tem água e sal e a bolacha é água e sal então o mar é um grande bolachão?
Affe.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuu

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Primeiro dia...


Hoje ele esteve aquí...
Cumprimentei-o com as mãos justapostas na altura da testa e inclinei levemente a cabeça e os ombros em sinal de respeito, mas respeito por tudo que tem feito por meu filho.
Agora começa a fazer pela mãe. Que Deus o oriente e guarde.
Logo no início da longa sessão pedí licença e busquei um pedaço de papel, no caminho já mudei de idéia e achei melhor pegar uma toalha. Enxuguei, assoei, assoprei, molhei, encharquei, ensopei, está de molho em balde no presente momento.
Reviví coisas vividas terríveis de doloridas, penso se vale a pena mexer em tais lembranças podres e fétidas. Mas, sei que se não fizer isso não vai valer a pena perder nosso tempo.
Quero reviver as doloridas, ensopar mais toalhas, descobrir onde pisei na minha bola e dei com a cara no chão. Sei que nesses momentos vou descobrir que a bola não era só minha, alguém mais estava no jogo e eu não ví. Bola dividida, tenho de aprender a reconhecer que errei o passo.
Tenho de limpar o sótão!!
Os monstros vão acordar e arrastar suas correntes, já estou sentindo a vibração.
Por isso mesmo, se tivesse uma saia rodada rosa e uma sapatilha que combinasse, já teria me matriculado nas aulas devidas.
Como não as tenho, visto meu velho e surrado jeans que cai bem com a camiseta preta, o cinto preto e o coturno de solado grosso, procuro no armário o boné de alvo e vou para a aula de tiro!!!
Auuuuuuuuuuuuuuuuuu