terça-feira, 26 de janeiro de 2010

30/Agosto/1997 - (Parte III)

Hospital lotado, corre-corre frenético. Finalmente uma maca acomodou-me e eu busquei o alívio para as dores pelo simples fato de estar em hospital (como se fosse possível).
Meus olhos, cobertos pelo providencial pano, foram descortinados por uma mão adornada por caro relógio e meus ouvidos escutaram um sussurro delicado de uma voz conhecida (meu médico, clínico geral):
- O que está acontecendo Fátima? O que você sente?
Eu queria responder com um enorme buáááá, mas me contive e disse:
- Doutor Paulo, acho que estou com meningite, pois a dor na cabeça e nuca é muito grande...
Desmaiei finalmente!
Acordei quando os médicos retiravam de minhas costas algo dolorido, estava nua, em posição fetal, decúbito lateral esquerdo (creio ser assim a descrição hehehe). E ouví uma voz estranha dizer a outra pessoa (que era o meu clínico geral):
- Nossa, ela parece ser tão nova! Mas, pela quantidade de sangue no líquido verifica-se que foi um derrame de grandes proporções.
- "Carambaaaa"...
Pensei. E conseguí dizer em bom som:
- Derrame, eu?
O médico neurologista que havia coletado o líquido e feito o triste comentário, levou um susto tão grande por constatar que eu estava consciente que, tempos depois, soube por ele em tom de piada, que quase me furou de novo com a agulha que mantinha nas mãos. Eis em minha vida o Dr. Moroni! Um neurologista carioca, aventureiro profissional em minha pequena e insignificante cidade, que passou a me acompanhar em toda a saga que viria acontecer e, que até hoje se faz presente em minhas preces, que Deus o abençôe sempre.
Após os exames iniciais, transferiram-me para um apartamento do hospital e, por incrível que pareça, lembro-me dos detalhes iniciais daquele dia: uma campainha tocava dentro do meu quarto de forma intermitente e pior: dentro da minha cabeça dolorida, e eu reclamava e reclamava... Ninguém acreditava em mim! Estava sozinha naqueles momentos...
Chegou para me visitar meu irmão mais velho e, eu com a cabeça coberta pelo famigerado pano preto disse à ele do tormento da campainha que tocava dentro de meu quarto. Ele foi investigar e, acabou por constatar:
- Está tocando aquí dentro sim. Está tocando no postinho de plantão das enfermeiras e dentro deste quarto! Que coisa estranha...
Só com a Fátima podia acontecer uma coisa dessas.
Troca de apartamento. Fecha o pano...
Começo a perder as lembranças do que viví. Drogas pesadas, médicos, enfermeiras, agulhas, agulhas, agulhas, tomografias computadorizadas e um exame que consiste em injetar iodo nas artérias do pescoço.
Desse último exame, o que falar?
Meu Deus dos Céus. Meu Jesus Cristinho. Minha Nossa Senhora das Graças... Que tormento. Fogo líquido que subiu pelo meu pescoço atingindo o cérebro e levando-me para o inferno. Soube depois que era uma técnica de tortura muito difundida na segunda guerra mundial. Meu pescoço doeu e ficou inchado por aproximadamente um ano após a "intervençãozinha".
Logo após os exames de praxe, notícias nada promissoras para os familiares que entraram em uníssono na mais profunda oração a todos os santos e à Deus (em primeiro lugar).
A Fátima havia tido um AVC (acidente vascular cerebral) ou seja: derrame cerebral, ocasionado por aneurisma (que consiste em uma falha na parede de uma veia que leva o sangue para o cérebro). É como se fosse uma parede mais frágil e tal parede se expande com o fluxo sanguíneo, criando uma bolha de sangue e tal bolha jamais pode romper-se...
A bolha do cérebro da Bolha da Fátima rompeu. Phudeu...

30/Agosto/1997 - (Parte II)

Meu gurí, tão pequenino, veio como de costume procurar a mãe. E certamente a encontrou inerte, nua, no chão do banheiro. Ao ver que ela não respondia ao seu chamado, foi ao armário de remédios que se encontrava na cozinha, puxou uma cadeira e começou a fuçar por lá, com a inocente intenção de medicar a mãe.
Dona Cida, uma ajudante "anjo" que trabalhava comigo nessa época, ouviu o meu filho pedindo, com um copo nas mãos:
- Dona Cida, pega um pouco de água pra mim dar um remédio pra mãe.
Estranhando ela perguntou:
- O que aconteceu Gustavo?
E o inteligente menino respondeu apavorado:
- Ela está no chão lá no banheiro...
De imediato, Dona Cida foi até onde eu me encontrava e começou a tomar as providências necessárias. Arrastou-me nua até a cama e por lá me vestiu.
Lembro-me que comecei a retornar à consciência, mas a dor era por demais terrível, ela não permitia que eu ouvisse sons, sentisse algum cheiro, visse a claridade e sequer permitia que eu "pensasse" em pensar...
Agonia extrema, eu diria até que era pior do que um abismo. Eu me sentia como um vulcão prestes à explodir. Explodiria dores, veias, sangue, olhos, vômitos, Maria de Fátima em todas as direções!!
Então, em razão de Dona Cida ser analfabeta, meu gurí ligou ao pai pedindo socorro e depois ligou para a Santa avó (minha mãe) que tanto nessa vida já nos socorreu...
Meu ex marido chegou em casa (e eu na penumbra do quarto), minha mãe também chegou acompanhada de minha cunhada que fora buscá-la. Lembro que ofereciam coisas de comer e eu murmurava:
- Não falem de comida, não coloquem panelas no fogo, não posso sentir cheiro. Não falem alto, não posso ouvir sons. Não entrem no quarto, não quero sentir vossos perfumes. Eu preciso urgente de um médico pelo amor de Deus...
O pai de meu filho tentava inutilmente conseguir uma ambulância. E tentava, tentava, quanto mais tentava menos conseguia.
Lembro vagamente que uma amiga chegou em minha casa, ela estava de malas prontas para a viagem que faríamos a Foz do Iguaçú e em sua boca continha uma bala mentolada. Solícita, entrou em meu quarto e aproximou sua boca de meu rosto dizendo palavras confortadoras que não lembro quais eram, mas lembro muito bem do enjôo que tal bala provocou em minha pessoa e, com dificuldade vomitei em jatos. Jatos poderosos, em todas as direções.
Minha paciência pela ambulância e consequente socorro médico acabou. Paciência que nunca tive. Cadê ela? Onde? Isso existe? Chega! Por volta de 12:30hrs levantei-me segurando nas paredes e cobrí meus olhos com um pano preto, alguém perguntou onde eu ia e respondí:
- Ao hospital, é claro.
Na direção do veículo seguia meu ex-marido e no banco do passageiro ia euzinha rezando pra que no caminho não encontrássemos sequer um buraco no asfalto. Minha mãe ficou na minha casa, junto com a empregada e meu filho.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

1997 - (Parte I)

28/Agosto/1997 - Quinta-feira, por volta de 19:30hrs.
Limpava morangos na pia da cozinha, enquanto pai e filho (este último com 4 anos) brincavam de correr frenéticamente um atrás do outro em enorme gritaria. De repente, sentí uma espécie de dor forte, como se fosse uma garra a apertar-me fortemente na têmpora esquerda. Escureceu-me a visão, entontecí, tentei respirar pausadamente e terminei por buscar o conforto em minha cama. Vestia roupa desconfortável, calça jeans e blusa apertada, e não costumo jamais dormir em tais condições, todavia, lembro vagamente de ter ouvido o meu ex-marido explicar ao nosso único filho que pelo visto mamãe ia dormir e que era para eles a deixarem em paz.

29/Agosto/1997 - Sexta-feira
Acordei do torpor somente no dia seguinte, tive uma noite tomada por sono profundo. Mas, a dor de cabeça que havia sentido alí permanecia, forte, intermitente, generalizada (sequer compreendí como havia dormido acometida por tantas dores).
Lembrei-me que desde criança eu reclamava dos meus incômodos na cabeça e sempre vinha alguém dizendo:
- Eu também!!
E eu, na minha santa inocência pensava que isso era um bom sinal, sinal de que todos tinham dores naquela região e meu ladinho Pollyanna dizia:
- Que bom! Eu tenho cabeça...
Passei o dia muito mal e acabei por ligar à uma amiga, médica oftalmologista, explicando o que sentia, ocasião que ela disse que tudo indicava ser uma espécie de enxaqueca, receitando alguns remédios e cuidados.
Isso tudo aconteceu na sexta-feira, sendo que no dia seguinte, meu marido participaria de uma Convenção de Empresários Paranaenses na cidade de Foz do Iguaçú (distante 300 km de minha cidade), hospedagem em hotel luxuoso e provavelmente compras no Paraguay e Argentina. Eu pretendia acompanhá-lo e a futilidade ficou engavetada, pois eu sabia que com aquela dor não seria nada agradável viajar.

30/Agosto/1997 - Sábado.
No sábado acordei muito disposta. Faminta, tomei um café reforçado e pensei com meus botões:
- Nossa, mulher quando quer passear é capaz até de sarar de seus males...
Liguei para minha mãe e perguntei se ela cuidaria do meu filho para que eu pudesse viajar. Ela concordou e eu fui tomar um banho por volta das 08:30 da manhã.
Sempre deixava a porta destrancada, pois meu filho não saia do meu pé, sempre com suas conversinhas. O banheiro era muito grande e, logo após banho tomado comecei a enxugar-me... Foi quando sentí algo muito estranho na cabeça, um enorme anzol afiado fisgou-me a boca e levou-a de encontro ao olho esquerdo. Minha boca literalmente beijou meu olho esquerdo que contaminado pela fisgada contraiu-se também...
Tal olho finalmente comunicou à têmpora toda dor imaginável, e essa mesma ou talvez pior dor, esparramou-se de forma meteórica por todo o cérebro, derramando-se as dores, como enxurrada na nuca... Escoava, mas não cessava, só progredia.
Tudo escureceu e, eu nua, desmaiei no mármore frio do banheiro.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Mudança de ano

Dentro de mim existe algo bem sentido
Um sentido bem guardado
Dentro de um peito definido
Que te segue alucinado.

O algo sei definir muito bem
E sabes tocar no exato ponto
Encontras em meu peito também
E fazes de tudo um grande encontro.

Nos amamos, tão simples assim
Caminhamos, sempre seus olhos em mim...
Os circunstantes por vezes não reconhecem
E perdem a benção de uma prece.
Meu sentido causa torpor na humanidade
Que não conhece o sentido da lealdade.

Me pergunto qual a estranheza
De se deparar com um amor que só traz leveza.

Vamos nos amando em 2010,
construindo nosso amor unidos
Provando ao mundo que tudo é possivel,
quem sabe assim a humanidade,
aprenda o amor plausível!!!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo "Olha que estou tendo muita paciência com você!"
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

by Lya Luft

Interrogando...

Adormecí e despertei em cólicas.
O planeta azulzinho não me agrada, confesso solenemente. O que me cerca está morto e não sabe, ou o que vive está vivendo por fingir. Meu amor exige, não sabe dar. E quem gosta de mim quer que eu seja o que eles precisam que eu seja. Não consigo mentir e, não mentir é um dom que o mundo não merece de mim...
(Clarice??? rsrsrsrs)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Pêssegos em calda...

Pêssegos maduros,
em calda fria e doce.
Me parecem tão suculentos quanto sua pele,
a suave porcelana.
O tato quer sentir,
a língua quer tatear e degustar
os pêssegos gélidos.
Todavia, porcelana quente com pêssegos frescos...
Para o tato e o paladar tudo beira à perfeição,
pois minha língua bem sabe a alquimia da união.

Inevitável

Se quando me fito
Em meu espelho
Eu fico tão perplexa
Quando olho
Que vão ficando em mim
Muitos fios brancos.
E no meu rosto
Marcas do meu tempo.
E assim eu vou me vendo
Bem mais velha,
E nada posso contra
O que vejo.
Implacavelmente
Vou morrendo.
O tempo jamais para,
Pra dar tempo.
Inevitável e, deliciosamente invejável.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Submergindo


Com sofreguidão retorno da profundeza.
Subo à tona, tomo ar e o tom.
Fico, me tonifico.
Inspiro, expiro e calmamente espero.
Inspiro novamente, devagar, vagarinho...
Experientes nadadeiras me levam à margem e,
marginalizada, tonificada e inspirada, repouso.
E pronto! Em um só gesto estou inspirando o amante, o amado.
Experimento com gosto,
sorvo cada gota das palavras do inspirado totalmente experimentada,
respirante e arfante.

Loba Seforé.

Aprofundando

Mergulho, afundo, pro fundo, profundamente...
Não sou do fundo e não permaneço afundado, sou profundo, profícuo.
Deleito e exponho não a pessoa, mas sim as minhas idéias e, se você tiver sorte e fé exponho também, completamente desnuda, a alma.

E continuo dizendo do fundo da alma profunda:
"Beijos de luz em todas as direções".

Amor Polvo

O menino permanece na minha frente.
Bah, que grande sentimento!!
Pergunto, de que me serve o teclado, a tela e o verso?
O amor polvo me parece
rubro véu, suave porcelana.
Homem imenso, metade de mim,
que pretendes do meu desejo?

Pois amanheceu o dia e eu queria lhe dar uma poesia.
Mas eu fazia, refazia e não nascia...
Esquecia que nada se cria, tudo se copia.
Flexionei o verbo para o presente
resolví criar ao invés de copiar, fazer e talvez refazer
Lembrei que estou ausente...

Ausência do seu abraço
saudade doentia do seu enlaço...
Busquei aconchego em nossa cama
e lembrei novamente do nosso amor polvo:
rubro véu, suave porcelana!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Adquirindo olhos de luz

Eram sonhos? Eram vertigens?
Era sexo? Não sabia...
Tinha em vista muitos adjetivos,
mas não entendia.

E te chorava, e me esparramava,
e em seus braços me encontrei.
Foi nuvem negra? Dia sombrio?
É tudo que sei!

Os olhos que trago, os olhos são sós.
E sozinhos eles dirão.
Se vem de dores ou de alegrias
postos em tí, meu coração.

Tal como são meus olhos, não me aprofundo
a levar-te para onde forem.

Tudo que sei é de terem chorado
pelo meu amor, grande e sonhado.
Agora sorriem, feito feixes de luz
da mesma forma que seu amor me traduz.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Somos

Orvalho da manhã. Cheiro de terra molhada.
Livros de poesia espalhados.
Imagem colorida na retina. Toque aveludado nos dedos.
Pés descalços na relva. Crepúsculo dourado.
Massa de pão crescente. Beijo na boca da gente.
Éramos dois.

QUASE

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Hoje é hoje, amanhã será...

Amanhã será.
Ser há, de ser e haverá!

Inspiração...

Pronto, não mais tenho dúvidas
Inspiração advém de sentimentos.
O oco não produz, não galga, inutilmente se cala
A vida ensinou-me a viver o momento
Pois palavras soltas ferem feito bala.
Atravessam liames instransponíveis
E vão corroendo feito vermes
Só fazem perpetuar sentimentos intransferíveis
E impedem o roçar mágico de nossas epidermes.

Não nego,
Carrego na alma cicatrizes
Feito o artista e suas diferentes matizes
Encontro em minhas marcas o exato tom
Sempre sabendo que ninguém me tira o dom.

Sei que seu olhar me prende e arrebata
Mas traz a consciência clara de que tudo pode ter fim
Carrega consigo, o seu olhar, a flexa que mata
e diz com todas as palavras, aquela exata:
Pobre de mim!!!

Tudo muito simples...


Não sou rosa pra me considerar "terrível com meus espinhos", mas sou mulher suficiente pra exigir que respeitem meus sentimentos.
Não sou cristal pra dizer que "uma vez quebrada não tenho mais conserto", mas sou humana o bastante pra saber que ser for ferida não existe atadura nem medicamento que resolva.
Não sou palavra "que proferida não tem volta", mas sou consciência que recebe as palavras tortas e as vomita.
Não sou farinha "que uma vez espalhada não tem como ser reunida", mas tenho caráter pra lidar com essa parafernália toda de certo e errado.
Tenho valores inigualáveis e inatingíveis, não vou perdê-los pelo simples fato de saber que alguém nunca os teve e agiu de modo diferente do meu.
Quero sim, ser cada vez melhor e lapidada, mas também não abro mão do meu direito de experimentar de um modo especial o meu jeitinho de amar. Sei amar como ninguém, amar de corpo e alma, amar pelo simples fato de amar, assim como sei rejeitar o que não me é benéfico. Sei por pedras em cima de sentimentos mesquinhos, sentimentos refletidos em minha pessoa e que querem dizer por mim.
Meus gestos falam por sí! Se alguém não conseguir interpretá-los devidamente, nada posso fazer a não ser dizer intimamente:
- QUE PENA! MINHA INTENÇÃO REALMENTE NÃO FOI ESSA.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Amor Polvo "em construção"...

À primeira vista parece tudo tão simples. Mas o processo todo não é fácil de colocar em palavras, pois complico tudo quando tenho que poetisar sensações.
Vou tentando, quem sabe chego lá e, se chegar fatalmente te levo ao topo do mundo tendo por companhia minha agitada pessoinha.
Por acaso alguém já teve um amor polvo? Hummmm.... Tcharam! Tem neguinho querendo visualizar uma maket da minha obra...
Vou desenvolver o projeto com paciência e deliberações várias.
Primeiro, imagine um entorno fantástico, constituído por um oásis de pedras translúcidas, arbustos encorpados, magníficas bromélias, flôres perfumadas e grama orvalhada... Diliçaaaaa....
Panos de vidro foscos, daqueles que não permitem visualização externa e sequer interna. Ou seja, o mundo lá fore morre, fica esquecido nos corações que residem no centro da obra (mas sabe-se da existência do jardim lá fora).
E, o amor polvo se faz...
Confunde-se braços com braços, não se sabe qual é de quem!!
Pernas no mesmo processo! Qual é a minha perna? Toquei essa mas a sinto, toquei aquela e também sinto... Hummmmm.... Essa pele está muitoooo macia, definitivamente não é a minha... hahahahaha
(continuo, continuo....)

A DOR QUE DÓI MAIS (Martha Medeiros)

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

É um nó que dá dó

Vai começar o leilão: Qual o maior lance por minha vida?
Presumo que tudo vira bosta, pois conheço as pedras do caminho e sei que tudo vai acabar em bolhas. Internamente estou novamente aos prantos e sei que tenho todo o direito do mundo de meter o osso do peito nas paredes da vida, levando junto a cabeça que já não é lá essas coisas. Quanto posso aguentar? Quanto um coração suporta de sofrimento? Posso morrer de desilusão?
Eu sei bem o que é perder. Sei sim!!
Seja dito, não há quem não saiba...
Sonhar é tão trabalhoso... Imagine o que significa depositar seus sonhos em algo e imaginar um mundinho de felicidades sem fim. Insta dizer que meus sonhos sãos lotados de paixão e sensualidade, aquele lance de olhos nos olhos e compreensão infinita. Hahahahaha
Imaginem a cena: Passear com seu grande amor, o amor de sua vida para sempre e esse amor vai ser pra sempre lindo, charmoso, generoso e outros osos da vida... ai, ai...
É claro que sim, ele vai te conduzir ao nirvana, a risada dele nos seus momentos de exaustão do amor vai soar como hino de um coro de anjos celestiais. E, quando o tempo se preparar para a chuva e você pensar que virá tempestade das brabas o seu amor - lindo, inteligente, sintonizado, espiritualizado - vai dizer com sua voz mansa e em tom levemente brando: Chuva calma ó pai!
E ela virá...
Sabem o que é isso meu amigos? É o amor entupindo as veias de fé e imortalidade. Eu de boa acreditando que já nos conhecemos de outra vida e que vamos nos amar para toda a vida (ui, que pretensão para os céticos). Uma eternidade sem fim. Já sei, tive a idéia agora: Não, não há morte. Ficaremos para sempre juntos. E sem fim...
Hahahahaha... Ótimo, essa idéia acabou de sossegar meu coração...
Só quero ver quando ele acordar, levantar, tomar café e ler meu texto, vai ser divertido e preocupante.
Outro detalhe que não posso esquecer de dizer: Não há paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor. Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dele. Não existem outras coisas interessantes. Nem sons que se equiparem do que a risadinha na hora do "estado de graça" (ui). Tinhamu. Eu tumém tinhamu. Tinhamu más. Du-vi-do... Ganhei agora, pois tinhamu mais do que a mim.
Como dizia a música "eu conheço cada passo desse chão" e, mesmo sabendo disso, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo na estrada tão bem conhecida.
E mais uma vez saberei amar. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida, que desta vez o amor é bem direcionado, etecetera e tal...
Como disse Fernanda Young: "Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tudo está mudando em minha vida, tomando novos rumos, outras perspectivas. Mas, não pensem que tenho tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e internamente continuar a mesma. Penso que até podar os defeitos pode ser perigoso, pois nunca sabemos qual defeito é o pilar mestre de nossa construção inteira.
Décadas de solidão provocaram uma transformação considerável em minha pessoa. No momento que me resignei, perdí toda a vivacidade e interesse pelas coisas. Imagine uma Loba sem voz.

Minha amiga íntima, Clarice Lispector termina (arre, mulher porreta!!)
"Assim fiquei eu!
Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver.
Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento.

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
Clarice Lispector.

domingo, 22 de novembro de 2009

Meu pão-de-ló!!

Macio
saboroso
degustável
suave ao toque.
Doce...
Olhar tão doce tem o pão-de-ló
que se torna recheio em passe de mágica.
Dá vontade de passar no pão...

Auuuuu - Tinhamu....

Vês meu sorriso?
Ele está suspenso,
antevendo o momento de se dar pra você.
E quando ele se entregar a tí, vai com boca e tudo o mais.
Deixo pra tí o deleite espontâneo e roubo de tí os sonhos que busco...
Auuuuuuuuuu

Marques

Onde marcas senhor Marques?
Eu sei, juro que sei, sinto e não tem jeito.
Marcas aquí, bem no fundo do meu peito.
Deixastes e fazes marcas, bem as conheço.
Reconheço!
Saibas que marcas com delicadeza e profundidade.
Indolores, lindas e alegres obras de arte...
Me marque e mate.
Venha senhor Marques,
marque no plexo solar, bem próximo ao coração,
sou sua matéria prima, à inteira disposição.
Mesmo marcada, sigo a te beijar com veneração.


Sua loba que te ama de modo manso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Calos nas orelhas.

Orelha dolorida, ardente gostosamente
Ainda ecoa na cabeça o tom exato de sua voz
Mente débil, abraçada por um Morpheu insistente, condena o raciocínio.
Visualizo seu coração de boca aberta e, boquiaberta tomo sua luz infinita.
Sorvo gulosamente palavras, pausas, risadas, contos...
Ao final constato:
Não se solte de minha pessoinha.

Estava escrito...


Uma linha, tênue, nos une e nos mantém atados
Por gentileza, não ouse, em pensamento sequer, perguntar-me o porquê
Pois não saberia a resposta e, lhe devolveria a pergunta embrulhada em lindo papel de presente
Desavergonhadamente e senhora de sí, a dona linha me enche de questionamentos que não tenho pretensão de saber respostas
Ela se esconde, reaparece do nada e quando ressurge me arrebata
Já me trouxe abraços, melodias, alegrias, flôres, sorrisos, sentido de vida e, acima de tudo coerência e discernimento.
Mas, não me traz respostas.
Minhas reverências senhora linha, permaneça e fortaleça-se em nossas vidas!!

Loba Seforé

domingo, 8 de novembro de 2009

Aspas, parênteses, colchetes...


Por você sinto uma febre intensa e, a nível mental um frenesí sem fim.
Quanto ao corpo mundano, o prazer é múltiplo e me percorre de forma suave, mas toma conta de cada célula.
Eu não sei parar de te olhar... Não sei parar.
Não sei parar de sentir. Eu não sei parar de PULSAR...
E o pensamento todo lá em você, suavemente frenético.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sem chororô, per favore!!

Gosto que me enrosco de botar a boca no trombone, mas nos últimos tempos tenho me contentando com a harpa lírica que teima enroscar-se em meus braços.
Isso me queima os cornos. Sei que tudo está errado, e que eu precisaria no mínimo de uma bateria e baquetas raivosas à disposição.
Como não as tenho, tento explicar que minha vontade maior era fazer muitoooo barulho tentando descarregar toda a tensão emocional que me apoquenta. Se dá pé no celular é por lá mesmo que berro nas orelhas do idiota que atender!!!
Vou seguindo, um pé na frente do outro com muito cuidado pra não enroscar um no outro, quebrar os dentes, a boca e não poder ao menos berrar se necessário for...
Mas, saiba de uma coisa em definitivo:
QUEM DÁ PEDRADA MERECE TIJOLADA.
Estou pesquisando algumas olarias à venda!!!

Auuuuuuuuuuuuuuuuuu

Sucessoooo!!


Hoje eu tinha que tentar escrever algo...
Segundona batendo nas zureias, 23 de outubro de 2009!!
Fiote chega para o almoço sem o uniforme do colégio... Espantada, perguntei o porquê e ele calmamente (do jeitão de sempre) foi explicando pra mamãe xereta:
- Fomos fazer o nosso show, já combinado no Colégio (particular), hoje era o dia das incrições, blá, blá...
De pronto rebatí:
- Mas, filho. Perder aulas no seu colégio para ir em outro tocar? Isso está certo?
- Há mãe, eu reponho, fica fria...
Mãe, tranquilizada pela "responsa" toda do gurí pergunta então como foi o tão esperado show.
- Putz mãe. Foi dez, nós nem cobramos, mas a dona do colégio nos deu um cheque de R$-100,00 (aproximadamente 1/4 do S.M.) e vamos fazer um banner da banda e disse que a gente toca muitooooo bem.

Babei né???
E, ele continuou:
- O legal mãe, foi dar autógrafos. O gurizinho me pediu um autógrafo e ele tinha quase o mesmo nome que eu!!!!

Morram de inveja pobres mortais!!!
Eu deixo.... E não venham no futuro querer saber da mãe do astro!!!

Auuuuuuuuuuuu